Sumário executivo
A transição para uma economia de baixo carbono é um imperativo existencial que se coloca à humanidade. As políticas de transição para uma economia descarbonizada têm impactos no emprego, podendo potencialmente gerar e/ou reproduzir desigualdades. Em Portugal, 85% e 70% das emissões de gases de efeito de estufa estão concentradas em 20% e 10% dos empregos, respetivamente. Entre os empregos que em média estão associados a níveis mais elevados de emissões – as denominadas “profissões castanhas” – existem perfis socioeconómicos heterogéneos que apresentam níveis de vulnerabilidade à transição climática também diferentes. O primeiro cluster, maioritário, apresenta um perfil com baixa incidência de formação superior, um pouco mais velho, com remunerações mais baixas e cujas emissões médias de gases de efeito de estufa – medidas pelo Occupational Emissions Score (OES) – diminuíram a um ritmo menor nos últimos anos; o segundo cluster caracteriza-se por incorporar trabalhadores que têm ensino superior, mais novos, que auferem remunerações bastante acima da média nacional e cujo OES tem recuado de forma mais vincada.
Autores
Frederico Cantante, Pedro Estêvão, Vera Ferreira, Franco Tomassoni, Ricardo Moreira, Sara Nunes e Tânia Almeida [CoLABOR