O envelhecimento da população coloca desafios significativos às políticas públicas, exigindo respostas que conciliem dignidade, qualidade de vida e bem-estar com inclusão social e sustentabilidade económica. Os cuidados domiciliários surgem como uma resposta privilegiada a essa realidade, assegurando cuidados de proximidade, contribuindo para a autonomia da pessoa idosa, evitando a institucionalização precoce ou indesejada e apoiando os cuidadores informais. Contudo, em Portugal, os Serviços de Apoio Domiciliário (SAD) continuam a apresentar lacunas ao nível da cobertura territorial, da qualificação das equipas e da articulação entre os serviços sociais e de saúde. Simultaneamente, emerge um novo perfil de pessoas idosas – mais longevas, com maior prevalência de comorbilidades e situações de dependência, bem como mais exigentes e informadas acerca dos seus direitos – e de cuidadores informais, frequentemente mais sobrecarregados, indisponíveis ou ausentes. As orientações internacionais convergem na necessidade de reconfigurar os SAD, com base no princípio do *ageing in place*, reforçando a articulação entre os setores social e da saúde e promovendo a sua integração no sistema de cuidados de longa duração.