As crises atuais – climática, conflitos por recursos energéticos, desigualdades e justiça social – reforçam a necessidade de um modelo de desenvolvimento sustentável, conceptualizado por Brundtland (1987) e concretizado na Agenda 2030 das Nações Unidas (2015) através dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Embora a sua concretização dependa de toda a sociedade, cabe, em primeira instância, aos agentes de política pública promover as transformações necessárias para assegurar que o desenvolvimento económico respeita a dignidade humana e os limites físicos do planeta, prevenindo tensões sociais e a degradação dos recursos naturais que sustentam a vida e o bem-estar. Globalmente, prevê-se que menos de 20% das metas dos ODS sejam alcançadas até 2030; em Portugal, apenas o ODS 7 apresenta um nível de alinhamento considerado elevado (Sachs et al., 2025). O Relatório Voluntário Nacional (2023) identifica a insuficiente capacitação da Administração Pública Portuguesa (APP), aos vários níveis, como um dos principais obstáculos à implementação dos ODS. Neste contexto, é proposto um modelo de capacitação, em regime *b-learning*, dirigido à maioria dos cerca de 750 mil trabalhadores da APP ao longo dos próximos cinco anos, visando o desenvolvimento de competências transversais essenciais à promoção do desenvolvimento sustentável. O modelo foi materializado num protótipo, validado por diversos atores, maioritariamente funcionários públicos. A sua implementação poderá contribuir para uma Administração Pública mais preparada para responder aos desafios dos ODS, promovendo maior integração, eficiência e eficácia na ação pública, bem como reduzindo a incerteza e a indecisão nos processos de decisão.