A 17 e 18 de setembro de 2026, teve lugar na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa, o Encontro “Prospetiva para a Gestão Pública no Espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa”. Organizado pela REPLAN – Rede de Serviços de Planeamento e Prospetiva da Administração Pública e pelo Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (IPEA) do Brasil, estiveram presentes de várias dezenas de representantes e técnicos de 18 organismos da administração pública e outros peritos oriundos de seis países da CPLP.
O propósito imediato do encontro foi o de criar e reforçar laços entre entidades e serviços da administração pública de Estados-membros da CPLP na área da prospetiva, de modo a promover a constituição de uma rede de prospetiva lusófona num futuro próximo. Este é, aliás, um dos resultados do encontro que importa sublinhar: a Secretária Executiva da CPLP, a embaixadora Maria de Fátima Monteiro Jardim, em convergência com os objetivos subjacentes ao encontro e expressos na declaração final, exortou os presentes a mobilizarem-se no sentido de criar a rede referida, por a entender um instrumento não apenas de cooperação, mas também de colaboração entre os Estados-membros da CPLP, num mundo e num período histórico em que o trabalho conjunto, tendo a língua portuguesa como fundo, poderá ser uma vantagem estratégica futura extremamente relevante.
O evento serviu ainda para disseminar o “Glossário de Prospetiva” em língua portuguesa, instrumento que, por fornecer uma orientação comum e partilhada, permitirá a aproximação e a colaboração das pessoas e das entidades que, nas diversas longitudes e latitudes em que o português é falado, trabalhem com as questões relacionadas com a prospetiva e a governança antecipatória.
Nota não menos importante, o evento foi associado à celebração do 30.º aniversário da CPLP.
Quanto aos trabalhos que preencheram os dois dias, o primeiro dia teve o formato de seminário. Durante a manhã houve um debate focado nos “Desafios e problemas do futuro e o contributo estratégico da prospetiva num mundo em transformação”, com especialistas de vários países (Brasil, Moçambique e Portugal), a que se seguiu a apresentação do Glossário de Prospetiva em língua portuguesa. A tarde foi dedicada à apresentação de diversas experienciais nacionais no âmbito da prospetiva e do planeamento de médio e longo-prazos (Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal e Timor-Leste). Em todos estes momentos houver períodos de perguntas e respostas, permitindo aprofundar o diálogo e a aprendizagem das diversas partes.
O segundo dia teve o formato de Oficina. Durante a manhã e o início da tarde houve a oportunidade de se experimentarem e aplicarem métodos e técnicas próprios de prospetiva. Aconteceu ainda uma conferência pelo Prof. Doutor António Alvarenga, que apontou os desafios e as vantagens do uso da prospetiva, nomeadamente no que tem a ver com os processos de planeamento estratégico de longo prazo e o desenho de políticas públicas eficazes, sustentáveis e resilientes. O dia terminou com a leitura de uma declaração em que, além do balanço do encontro, foram enunciados os próximos passos, nomeadamente no que concerne à criação de uma rede de prospetiva que envolva entidades e serviços da administração pública dos diversos Estados-membros da CPLP.
