Nas últimas décadas, Portugal tem registado profundas transformações demográficas, marcadas pelo envelhecimento da população, por saldos naturais negativos e pela saída continuada de jovens adultos de muitos territórios de baixa densidade (TBD). Estes processos têm acentuado as assimetrias entre o litoral urbano e os TBD, que apresentam diferentes trajetórias de declínio demográfico, bem como fragilidades e potencialidades distintas. Com base em indicadores de vulnerabilidade demográfica e de atratividade territorial, o estudo identifica diferentes perfis de TBD, distinguindo territórios de maior risco, de maior resiliência e com potencial de transformação, evidenciando a necessidade de políticas públicas diferenciadas. A análise das políticas existentes e a auscultação de agentes territoriais confirmam a importância de fatores tradicionais de atratividade, como a disponibilidade de serviços de proximidade, o acesso à habitação e a dinamização da atividade económica. Os resultados mostram, contudo, que as prioridades variam consoante o perfil dos territórios: nos que apresentam maior potencial, destacam-se a promoção da habitação e o reforço das infraestruturas económicas como motores de atração e fixação de população; nos territórios em declínio mais acentuado, assumem maior relevância a mobilização da habitação vaga, a adaptação da oferta de serviços e o desenvolvimento de soluções que favoreçam a permanência da população. As evidências apontam, assim, para a necessidade de estratégias territorialmente diferenciadas que respondam às especificidades demográficas e socioeconómicas de cada contexto.