O Programa Radar Social foi criado para reforçar a capacidade de deteção precoce de situações de vulnerabilidade social, através da constituição de equipas técnicas municipais financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A análise realizada, com base em entrevistas qualitativas e num inquérito dirigido aos municípios participantes, evidencia, contudo, limitações relevantes na sua implementação, relacionadas com a indefinição de procedimentos, fragilidades na coordenação institucional e ausência de uma estratégia de sustentabilidade após o termo do financiamento. Os resultados mostram que o Estado central desempenhou um papel decisivo no lançamento e financiamento da medida, sem assegurar mecanismos suficientemente robustos de acompanhamento técnico, coordenação operacional e continuidade organizacional. Em muitos municípios, o Radar Social concentrou-se sobretudo em funções de sinalização, triagem e encaminhamento para respostas sociais já existentes, levantando questões sobre o seu valor acrescentado face às estruturas locais previamente instaladas e à sua capacidade de inovação na intervenção social. Apesar destes constrangimentos, o programa contribuiu para a criação de equipas técnicas multidisciplinares, para o reforço da articulação entre municípios, Rede Social e instituições locais e para um melhor conhecimento das situações de vulnerabilidade social nos territórios. Estas evidências apontam para a necessidade de consolidar os mecanismos de coordenação, clarificar o modelo de funcionamento e assegurar a sustentabilidade da iniciativa para potenciar o seu impacto nas políticas públicas de intervenção social.