Portugal enfrenta um paradoxo entre a escassez de habitação acessível e a existência de mais de 723 mil alojamentos vagos. Este *policy brief* demonstra que nem todos estes imóveis podem ser mobilizados no curto prazo, sendo fundamental distinguir diferentes tipos de vacância, associados a causas distintas, como fatores friccionais, constrangimentos institucionais ou decisões de investimento. A análise evidencia fortes assimetrias territoriais, com maior incidência da vacância no interior do país e padrões diferenciados nas áreas metropolitanas. Os dados de consumo de eletricidade corroboram a relevância da desocupação persistente. O enquadramento jurídico nacional disponibiliza diversos instrumentos de política pública, combinando incentivos e medidas de natureza dissuasora, desde que devidamente fundamentados e proporcionais. O principal desafio reside na escassez de informação detalhada e na limitada avaliação das políticas já implementadas. Conclui-se que a mobilização de alojamentos vagos exige uma base de informação mais robusta e uma combinação de medidas adaptadas às diferentes causas da vacância e às especificidades de cada território, permitindo transformar este stock habitacional num contributo efetivo para mitigar a crise da habitação.